Costura High Tech: costurando wearables

costura-hightech_olabi_cultura-maker.jpg

#TECNOLOGIA #ARTE #ARDUINOS

16 ago 2016 | por Gabriela Agustini

A tecnologia aliada à moda ganhou destaque esse ano no baile de gala do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, principalmente por conta do vestido de fibra ótica que fez Claire Danes brilhar no escuro. Quem não conhecia o termo wearables certamente passou a conhecer, a tecnologia vestível. E não é só o mundo da moda que ganha com as possibilidades tecnológicas aplicadas. Tem vários projetos bacanas que aliam eletrônicos a acessórios com diversas utilidades, como o SignAloud, uma luva que traduz para texto e fala a linguagem de sinais. Já o artista Neil Harbisson, que nasceu vendo tudo em preto e branco, criou para si uma antena que transforma cores em sinais sonoros, assim pode ouvir as cores do mundo. (Ele em breve vem ao Brasil para participar de uma Mesa&Cadeira especial ciborgues, não perde!)

As possibilidades de aplicação das tecnologias são infinitas, e a gente pôde explorar algumas delas durante o curso de Costura High-Tech que aconteceu no Olabi de março a julho de 2016. Nele, diversas técnicas foram abordadas a partir de pequenos exercícios práticos, unindo o artesanal ao tecnológico. Ao fim do curso, cada aluno desenvolveu um projeto utilizando as técnicas que mais teve afinidade, surgindo desde fantasias de carnaval até raquetes de ping-pong interativas.

A ideia de resgatar técnicas tradicionais, aquelas que associamos a senhorinhas e que ficam muitas vezes estigmatizadas, foi extremamente rica. O crochê foi uma das favoritas, em que a criação de objetos a partir de linha (e nada mais) começou a dar forma a criações próprias dos alunos. Traçando um paralelo, o crochê pode ser descrito como a versão analógica da impressão 3D, afinal, o que é a impressão 3D senão a criação de objetos a partir de filamento?

Como toda linguagem é feita de códigos, o crochê, assim como o Arduino ensinado mais tarde, tem seus códigos próprios. Os pontos básicos de crochê foram ensinados acompanhados de seus códigos tanto em texto como em símbolos. E, ao final, tivemos a feliz surpresa de ter uma aluna desenvolvendo sua própria receita em código para fazer uma pantufa, no intuito de reproduzir o segundo pé idêntico ao primeiro.

O tabu da modelagem para impressão 3D foi quebrado com a apresentação de diversos softwares de modelagem digital que vão desde o Tinkercad, com uma linguagem mais lúdica, a softwares profissionais como o Rhinoceros. Cada um pôde escolher sua própria ferramenta de trabalho, chegando até à modelagem paramétrica, simplificada pelo Shapeshifter ou através da construção de algoritmos com o Grasshopper. Mas o que é modelagem paramétrica? É a modelagem baseada em parâmetros facilmente alteráveis, ou seja, ao final do projeto, podemos alterar a espessura ou curvatura da forma e esta simultaneamente se atualiza. Não precisamos remodelar o objeto desde o princípio. Um processo que facilita muito a prototipagem rápida de variações de um mesmo modelo em busca da melhor resposta.

28105186034_7217cc2c36_z-300x201

A linguagem de Arduino, outro tabu para leigos em eletrônica, foi compreendida a partir de seus comandos básicos para tornar interativos os bordados realizados pelos alunos. O código desenvolvido aciona os leds à medida que a luz no ambiente (ou no sensor) diminui. Com esse exercício, além de diferentes pontos de bordado, os alunos aprenderam sobre circuito eletrônico costurando todos os componentes com linha condutiva, desde o microcontrolador, sensor, aos atuadores. Optamos por utilizar uma versão própria para vestíveis do Arduino, o Lilypad que pode ser costurado à roupa e lavado sem problemas.

Após o domínio das técnicas e de uma chuva de referências, os alunos foram desafiados a desenvolver seu próprio projeto vestível utilizando as técnicas que foram aprendidas, e outras mais que fossem necessárias. Após um momento inicial de ideias mirabolantes que iriam dominar o mundo, focamos na prática, no tempo e nas tecnologias disponíveis. As ideias sempre partem de um desejo de ação e então traduzimos isso para componentes, circuitos e sua estrutura.

1-ZcWtRjkQ-5cOQRSp930l-g.jpeg

Começamos a prototipar as ideias, conectando componentes novos para testar os circuitos, as leituras que conseguíamos dos sensores e as respostas desejadas para os atuadores. O famoso protótipo sujo, com muita gambiarra, fita isolante e diferentes conectores, linha condutiva, fita, fios, jacarés. Nesse momento contamos com a colaboração do Clube de Eletrônica e Robótica que rola no Olabi toda quarta à noite, para solucionar os circuitos mais complexos que utilizam sensores ultrassônicos ou o componente de contagem de tempo RTC.

Outra troca interessante aconteceu com o Clube de Marcenaria que rola toda quinta à noite, onde um dos alunos produziu uma raquete de ping-pong capaz de comportar todos os componentes eletrônicos em seu interior. A raquete é equipada com um sensor de vibração que aciona leds ao receber a batida da bola. Quanto mais rápido o jogador, mais frenética a resposta dos leds.

Um produto que certamente encontraria muitos consumidores desejosos no mercado é o tênis para usar na bike que dá seta. Acionado com a pressão do dedão do pé na sola do tênis, o ciclista pode sinalizar para onde vai com o blink de leds. Ok, pode ser utilizado fora da bike também, por que não?!

De bordados que detectam a presença do observador para interagir ou um dispositivo para acompanhar as fases da lua, a fantasias de carnaval, como o vagalume que pisca mais intensamente quando alguém se aproxima, tivemos ótimas ideias sendo desenvolvidas e materializadas. Mais que um projeto de wearable desenvolvido, tivemos o despertar de verdadeiros makers, capazes de mesclar técnicas manuais tradicionais à tecnologia de impressão 3D e programação de eletrônicos para desenvolver suas próprias ideias.

O Costura High-Tech foi desenvolvido e ministrado durante 5 meses no Olabi pelas arquitetas makers Clarice Rohde, Rebeca Duque Estrada e Carina Carmo.

*Clarice Rohde é arquiteta formada pela UFRJ, desenvolveu a Casa Revista, primeira casa fabricada digitalmente no Brasil, e é colaboradora do Olabi, onde ministra cursos e oferece mentorias para crianças e adultos. 

Fonte: http://olabi.co/costura-high-tech-criando-wearables/

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s