Economia colaborativa ganha espaço em meio a crise

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SÃO PAULO – Para economizar, os paulistanos já transformaram o aplicativo Uber Pool, que permite que varias pessoas usem simultaneamente o mesmo carro, em um grande sucesso. Lançado no mês passado em São Paulo, o Pool, que deve chegar ao Rio em breve, é mais um serviço da chamada economia colaborativa, que ganha adeptos aceleradamente no país.

Segundo especialistas, a economia colaborativa é uma das principais tendência de consumo deste século. E o Brasil já é o líder entre os mercados latino-americanos em iniciativas de serviços compartilhados, segundo um relatório da IE Business School, feito em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Entre as dezenas de lançamentos nacionais, há grande diversidade. O DogHero, por exemplo, é uma espécie de Airbnb para cachorros, e até a interface do site é parecida com a do de reservas para pessoas. Lançado no fim de 2014 por Eduardo Baer e Fernando Gadotti, o serviço já tem 4 mil anfitriões cadastrados e intermediou a hospedagem de milhares de cães.

— Notei que as pessoas ficavam aflitas em deixar seu animal num hotelzinho, ou até mesmo deixavam de sair para que o cachorro não ficasse sozinho. Foi daí que surgiu a ideia do DogHero — diz Baer, que emprega nove pessoas.

Mariluza Fregosa, uma das anfitriãs do DogHero, diz que o negócio para ela deu tão certo que o que no começo era um mero complemento à sua renda virou sua fonte principal de recursos. No início do ano, Mariluza deixou o emprego em uma agência de publicidade para se dedicar integralmente à atividade de cuidadora de cães.

— Há feriados em que chego a receber 11 cachorros hóspedes e cuido ainda dos meus quatro cães — conta ela.

A diária das hospedagens pelo site custa em média R$ 60, variando de R$ 20 a pouco mais de R$ 100. Um percentual desses valores fica com o site, que não divulga quanto.

O cenário atual, de poder de compra corroído pela inflação e de incertezas sobre o futuro, é um impulso à nova modalidade de consumo de serviços, explica Graciana Méndez, analista de tendências da consultoria inglesa Mintel Group:

— É nos contextos de crise que possibilidades que eram consideradas alternativas ganham muita popularidade e se tornam mais convencionais, conhecidas e praticadas por muitas pessoas.

TEMPO É DINHEIRO… VIRTUAL

Uma corrida pelo Uber Pool, por exemplo, gera economia que supera 60% em relação ao preço de um táxi comum. Uma viagem da Vila Madalena, na Zona Oeste de São Paulo, para o Aeroporto de Guarulhos sai por cerca de R$ 41,60 no Pool, enquanto que, de táxi, chegaria a R$ 178. No UberX, o mesmo trajeto sai por R$ 60.

E há serviços menos convencionais e que já ganham mercados internacionais. Caso do Bliive, que estimula pessoas a trocarem conhecimentos e se autointitula “rede colaborativa de troca de tempo”. Com 120 mil usuários ativos e presente em 110 países, o Bliive foi criado por Lorrana Scarpioni, que tem apenas 24 anos. Na prática, um usuário do Bliive pode procurar outro que esteja disposto a ensinar-lhe um tema específico, de que precisa. Violão, inglês, culinária, qualquer coisa. Ao que ensina, cada minuto da aula é revertido em uma moeda virtual, a Time Money, que pode ser usada para “comprar” o serviço de outro usuário.

— Existem alternativas para empoderar pessoas sem o uso do dinheiro. Então, a minha ideia foi trazer uma moeda alternativa, que, no caso, é o tempo, para uma comunidade on-line — disse a jovem, apontada como um dos dez brasileiros mais inovadores pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Há ainda ideias baseadas nas coisas mais corriqueiras arrebatando usuários. O Tem Açúcar? vê sua rede de usuários crescer a cada dia. Depois de cadastrado, o internauta pode pedir objetos emprestados à sua vizinhança, que é delimitada pelo próprio site.

VAI PAGAR QUANTO?

Estudo da Mintel Group aponta ainda que esse novo modelo de consumo reduz o desperdício, aumenta a eficiência no uso de recursos naturais e até ajuda a reduzir a desigualdade social.

Outro sucesso paulista é o Preto Café, em Pinheiros, Zona Oeste. Uma espécie de café, ele está sempre com as mesas cheias, os produtos não têm preço e o cliente paga quanto quiser.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/economia-colaborativa-ganha-espaco-em-meio-crise-19353433#ixzz4HFJgr93X
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