O que significa consumir moda de forma mais consciente e como aplicar isso na sua vida

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#SUSTENTABILIDADE #CONSUMOCONSCIENTE #MODA

O debate da sustentabilidade na moda se intensificou nos últimos anos, principalmente depois da grande repercussão do desabamento do Rana Plaza, prédio que abrigava uma fábrica têxtil em Bangladesh, onde eram produzidas roupas de grandes marcas de fast fashion ocidentais. Entre movimentos como o Fashion Revolution e o documentário como o True Cost, fica a dúvida, como criar hábitos de consumo mais conscientes ao mesmo que tempo em que somos apaixonados por moda?

Marina Colerato, nome por trás do site Modefica, debate essa e outras questões no espaço virtual diariamente e, nos dias 6 e 7 de agosto, levará as discussões para a segunda edição do Modefica Offline, evento em São Paulo com rodas de conversa que pretendem se aprofundar ainda mais nos temas.

No painel “Novas maneiras de fazer moda”, a estilista Flavia Aranha estará ao lado de Mari Pelli, do projeto Roupa Livre, por exemplo. No “Moda e estereótipos de raça”, Nátaly Neri, que entrevistamos aqui sobre seu canal no Youtube Afro e Afins, conversa com Ísis Carolina Vergílio, Loo Nascimento e Thainá Sagrado.

“Eu sei que ainda é preciso produzir peças no sistema que a gente vive porque senão muita gente vai passar fome, isso é fato. A transição precisa ser pensada de um modo econômico mais amplo”, explica Marina em entrevista à ELLE. Mas há alguns hábitos que podemos incorporar no nosso dia a dia e, principalmente, pensamentos que devem ser reconsiderados a fim de um consumo mais consciente. Confira algumas dicas:

1. Será que realmente preciso de algo novo?

Para Marina, a primeira e primordial dica é basicamente ter certeza de que você precisa de algo novo. “Eu sei que, no geral, a gente não precisa de mais nada, mas é um pouco utópico pensar que deixaremos de consumir. Se você tem uma peça há 15 anos, ela vai desgastar em determinado momento e você precisa substituí-la. Para mim, o primeiro passo é reconhecer a real necessidade”, declara. A tática dela é pensar se aquela peça será usada 50 vezes, independentemente de sua procedência. “Não adianta nada ser uma peça feita com maior cuidado se ela for ficar no fundo do armário e você acabar comprando outra”, pondera.

2. O que é comprar conscientemente?

Uma compra consciente precisa de informação. Reconhecer a importância do produto, entender melhor a marca da qual você está comprando e perceber que não existe “preto no branco”. Afinal, é melhor comprar uma blusa de poliéster ou algodão? Marina explica que depende. Se formos pensar em longevidade, o poliéster dura para sempre, mas os impactos ambientais são maiores. “Uma compra consciente não é comprar de uma marca verde, é você comprar conscientemente dos impactos que aquela sua compra está gerando. Eu sei o que significa comprar na Zara um produto sintético e eu sei o que significa comprar um produto de origem animal numa Luiza Perea, por exemplo”.

“Não adianta você só comprar da marca verde sem nem saber como a roupa é produzida. Pode parecer estranho, mas é igual no mercado. Você olha um produto ali e nem sabe como é um pé de maçã, e com a moda é um pouco isso”, continua. “Primeiro eu vejo a minha necessidade, depois eu avalio os impactos das opções que eu tenho na mão para depois fazer a minha escolha. É claro que sempre dentro da questão financeira. Não adianta almejar uma coisa que esteja muito longe do seu orçamento se depois vai ser massacrante para você mesmo. Isso não é nem um pouco sustentável.”

3. Consertar é uma ótima opção

Quantas vezes você levou uma peça para o conserto nos últimos anos? Com a rapidez do fast fashion, muitas vezes deixamos de arrumar pequenos defeitos em roupas e acessórios e, simplesmente, saímos para comprar novos. “Já que sou formada em moda, consertar uma roupa é bem normal, mas comecei a perceber que para algumas pessoas é algo de outro mundo. Elas preferem comprar uma nova do que costurar um furo”.

4. Uma camiseta não é apenas uma camiseta

Você já parou para pensar em quanto trabalho existiu e quantas pessoas estiveram envolvidas na produção de uma simples camiseta branca? “Precisamos criar uma relação de afeto com nossas peças. Não importa se ela custou R$ 10 ou R$ 10 mil. É claro que o valor que você vai dar a uma peça de R$ 10 mil provavelmente vai ser maior do que na de R$ 10, mas a questão é ser empático com a sua peça”, explica. “Para ela chegar à sua mão, tiveram pessoas trabalhando na extração, o meio ambiente sofreu com isso, teve gente que fiou, que vendeu o tecido, estilista para confeccionar, modelista… É muito trabalho”, diz Marina.

“Deveríamos humanizar cada compra. Uma peça não é só uma peça, uma maçã não é só uma maçã, um bife não é só um bife. Existe uma questão grande por trás. Criar uma relação mais humanizada com o que você já tem e com o que você vai comprar também fará com que sua relação de descarte mude. Tudo bem, você só pagou R$ 10 na camiseta, mas e toda a cadeia por trás?

5. Não estamos sozinhos no mundo

Um das lógicas que Marina aponta que precisa urgentemente mudar na cabeça das pessoas é que não existem apenas escolhas pessoais. O que você vai comprar e, principalmente, descartar não é simplesmente uma escolha pessoal porque estamos dividindo o mesmo planeta e os mesmos recursos naturais. “A partir do momento em que você compra uma peça, ela é, sim, de responsabilidade sua. Não é só jogar no lixo. Aliás, jogar no lixo é, inclusive, ilegal, mas poucas pessoas sabem disso”, conta. “Toda vez que vou comprar algo penso no custo ambiental, no meu dinheiro e no meu casamento com a peça.”

6. Dar valor às especialidades

Antes das grandes lojas de departamento, as pessoas e marcas eram valorizadas pelas suas especialidades. Comprar de marcas sustentáveis é, mais ou menos, voltar a esse tempo. Você não vai encontrar absolutamente tudo o que procura nessas lojas. É necessário uma mudança de lógica e hábitos de consumo: conhecer e entender quais são as peças que eles podem oferecer e avaliar como elas se adaptariam a sua vida. “O monopólio fez a gente acreditar que tudo tem que estar em um lugar só. É cômodo, mas não é necessariamente como deveria ser. Deveria ser descentralizado, cada um fazendo sua especialidade”, diz.

7. Olho nos brechós e nos armários compartilhados

“A roupa mais sustentável que existe está pronta, então ela está no brechó. Ele é a melhor opção, principalmente se você não abrir mão de peças de origem animal”, observa Marina. Outra prática que poderia começar a facilmente ser implementada no seu dia a dia é a de compartilhar suas roupas com outras pessoas e não apenas em eventos formais – mas isso também já é positivo. Quantas peças você tem no seu armário que ficam paradas durante a semana, que poderiam passar alguns dias na casa das suas amigas e depois voltar?

Se quiser ir mais além, existem iniciativas como o Lucid Bag, um armário compartilhado em São Paulo, em que você paga uma assinatura e pode pegar um determinado número de peças. “Estamos em dezenas de grupos no Whatsapp, será que ninguém tem uma bolsa para emprestar”, questiona Marina.

Fonte: MdeMulher

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